terça-feira, 10 de junho de 2008

O Retrato de jennie

O Retrato de Jennie
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SINOPSE

Durante um inverno, um pintor sem sorte encontra, no Central Park de Nova York, uma garota por quem se apaixona e de quem pinta um retrato. Mas descobre que ela esconde um segredo.

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É um dos muitos filmes que o produtor David Selznick ("E o Vento Levou") realizou para sua mulher Jennifer Jones, numa produção complicada que chegou a estrear em algumas salas usando até um Ciclorama para dar maior ênfase às cenas finais de tempestade e acabou ganhando o Oscar de efeitos especiais.

A fita em preto e branco é em cores na cena final em que mostra o retrato e usa um filtro esverdeado para as cenas da tormenta. Uma das estudantes na cena final no museu depois viraria estrela na Metro, Anne Francis ("O Planeta Proibido"), que traz ainda Nancy Olson e a futura primeira dama americana Nancy Davis Reagan. Brian Keith foi extra na cena de patinação. O retrato de Jennifer usado no filme depois passou para a coleção privada da atriz e, anos mais tarde, para o marido seguinte dela, o milionário Norton Simon.

Ao custo de três milhões de dólares, uma enorme quantia para a época, e oito tumultuados meses de filmagem, o filme ficou em produção num total de 20 meses. Dizem que o fotografo Joseph August sofreu um enfarte e morreu como resultado de tanta pressão que sofreu. Usando câmeras antigas, ele procurou dar um tom antiquado e romântico a tudo. De qualquer forma, os excessos e o fracasso de bilheteria fizeram com que o produtor vendesse seu estúdio e o contrato que tinha com vários atores que havia descoberto, como Gregory Peck, Louis Jourdan, Rhonda Fleming etc.

Nos anos oitenta, quando estreou e fez muito sucesso no Brasil "Em Algum Lugar do Passado", com Christopher Reeve, era difícil explicar para as pessoas que ele nada mais era do que uma reciclagem deste clássico romântico, um dos mais emocionantes do gênero. Parece que o produtor não tinha confiança na sua própria mensagem porque utilizou várias epígrafes e citações - de Keats à Eurípides - além de um narrador que pretensiosamente se pergunta "o que é tempo? Espaço? Vida? Morte? Será que viver não é morrer ou vice-versa?" e afirma que é preciso ter fé para se envolver com mais facilidade na história.

Hoje em dia, em tempos mais místicos, não é preciso desculpas para convencer, nesta história sobre uma jovem que morreu sem ter conhecido o amor e seu espírito, como fantasma, retorna para encontrar o homem de sua vida. Como ela afirma em suas sete aparições, primeiro cantando uma musica misteriosa, de autoria de Bernard Hermann: " de onde eu venho ninguém sabe, para onde eu vou, todos vão". Com a ajuda de uma esplêndida fotografia, o filme delicadamente nos convence que um pintor (Cotten), encontra num parque gelado uma adolescente chamada Jennie Aplleton, que lhe deixa uma écharpe. No segundo encontro, patinando no mesmo parque, ele confirma que a jovem é muito misteriosa, filha de artistas de Vaudeville, um teatro já demolido, e deseja pintá-la.

A fita tem problemas com as tramas paralelas que não interessam. O fato é em que determinado momento , quando acerta a pintura do retrato dela, já se sabe que Jennie é um fantasma, que não tem consciência muito clara do que está fazendo ali. Isso só será resolvido num grande climax em Cape Cod, num lugar chamado Land´s End Point, onde finalmente o casal se reencontrará para toda a eternidade - como diz o longa "o tempo cometeu um erro, mas como ele esperou por Jennie, agora o amor de ambos será eterno".

Não há dúvida que esse é apelo irresistível para qualquer um que acredita no amor. E com uma tese muito interessante, já que a ciência diz que o tempo não existe, será que a pessoa certa para nós não poderia ter vivido em outra época e se desencontrado? E será possível existir um amor tão forte que resiste ao tempo? Essa hipótese desbragadamente romântica é muito bem contada numa direção perfeita, no tom certo de interpretação, de passagem de cenas e principalmente com um visual estilizado. Um delicioso delírio ainda pouco conhecido.


Título original : The Portrait of Jennie (EUA, 1948)
Diretor: William Dieterle
Elenco: Jennifer Jones, Joseph Cotten, Ethel Barrymore, Lilian Gish, Cecil Kelaway, Anne Francis, David Wayne, Henry Hull, Florence Bates
Extras: Entrevista com Rubens Ewald Filho, notas de produção
Idioma: Inglês
Legendas: Português
Gênero: Romance
Duração: 86 min. P&B
Distribuidora: Versátil

Palhaços

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SINOPSE

O diretor Fellini (1920-93) dedica documentário à sua paixão pelo circo.

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Não havia sido trazido comercialmente ao Brasil este filme de Federico Fellini, feito originalmente para a televisão.

Embora seja fã de carteirinha do diretor, fiquei desapontado. Mesmo sendo uma obra importante para se entender seu espírito e sua obra, não se pode afirmar que seja um grande filme, nem mesmo especial. Foi sua segunda experiência para a TV, pouco depois do documentário "Block Notes di un Regista", já sem qualquer inibição em ser autobiográfico, aparecendo diante das câmeras e sendo o narrador - o que abriu caminho para os filmes seguintes "Roma", "Amarcord" e "Intervista".

Na verdade, Fellini era vaidoso e adorava se exibir e aqui inventou o recurso de levar junto um câmera, um assistente e uma secretária (todos interpretados por atores) que o acompanham nas andanças através dos palhaços do passado. A fita começa com uma bela imagem, uma criança sendo acordada pelo barulho de um circo que esta sendo montado ao lado de sua casa. Fellini muitas vezes declarou que ele não fazia cinema mas circo, e isso ele procura demonstrar apresentando números de muitos palhaços, ou melhor dizendo Clowns. Depois de meia hora, ele entra em cena e com sua equipe sai visitando velhos em asilos.

O ator Pierre Étaix, casado com Annie Fratellini, que pertence a uma famosa família de clowns, tenta lhe mostrar uma fita antiga de clowns, mas tudo dá a impressão de ser encenado à moda de Fellini e não documental, em que as coisas se confundem. A visita chega ao circo da Familia Orfei junto com a ainda "bonitona" Anita Ekberg.

Mas nada de muito concludente acontece, o filme só não é ruim porque tem uma fantástica trilha musical do mestre Nino Rota, com alguns temas que sintetizam toda a sua obra e servem de referência a outros trabalhos, como "Os Boas Vidas". Não é por ser admirador de Fellini que há como negar que junto com "Ensaio de Orquestra" e a "Voz da Lua", este é um filme menor, apenas curioso e raro.


Título original : I Clowns (Itália, 1970)
Diretor: Federico Fellini
Depoimentos : Anita Ekberg, Liana Orfei, Nandon Orfei, Victoria Chaplin, Annie Fratellini, Riccardo Billi, Fafunlla, Mayo Morin, Lima Alberti, Alvaro Vitali, Pierre Étaix
Extras: O documentário francês "Fellini- Eu sou um Grande Mentiroso" (Je suis um grand menteur, 2002), de Damian Pettigrew, com depoimentos de Dante Ferretti, Roberto Benigni, Tullio Pinelli, Giuseppe Rottuno, Terence Stampo, Donald Sutherland, com 105 min
Idioma: Italiano
Legendas: Português
Gênero: Documentário
Duração: 90 min. Dreamland
Distribuidora: Playarte

Vestida para Casar

Vestida para Casar
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SINOPSE

Jane é uma jovem cujo grande sonho é casar. Mas sua má sorte amorosa só lhe permite que, nos matrimônios, seu papel seja sempre de dama de honra. Depois ser madrinha em 27 casamentos, a protagonista revisa seu estilo de vida. Ela se recusa a mais uma vez bancar a encalhada quando sua irmã anuncia o casamento com seu patrão - na verdade sua paixão secreta.

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A roteirista de "O Diabo Veste Prada" não podia fazer muito diferente: é uma comédia romântica que é puro "filme de menina", endereçado ao público feminino e com o qual os homens terão pouca paciência. Mas deu certo e rendeu mais de 76 milhões de dólares, o que consolidou o estrelato de Katherine Heigl, que até agora ainda era coadjuvante na serie de TV "Grey's Anatomy".

Ex- atriz juvenil, Heigl teve uma grande chance quando participou do êxito de "Ligeiramente Grávidos". Famosa por ser super sincera e dizer sempre o que pensa concedeu entrevista em que afirmava não gostar muito do filme porque não tinha feito tudo aquilo que esperava de si e que o espectador que fosse ver este filme adivinharia tudo que iria se passar depois dos primeiros minutos. Ambas constatações são verdadeiras, mas nenhuma das duas compromete Katherine, que é uma das mais interessantes revelações recentes. É forte, bela e cheia de personalidade. E tudo indica deve virar estrela.

A diretora Fletcher é atriz e coreógrafa, inclusive de "Hairspray", mas fez sucesso com seu filme de estréia "Step Up - Ela Dança, Eu Danço", de 2006. A idéia aqui até que é divertida. Uma garota que já chegou aos 30 e que já foi 27 vezes damas de honra e guarda os vestidos mais variados e diferentes. Já esta perdendo a esperança de casar porque a irmã (Malin Akerman, a noiva de "Antes Só do que Mal Casado") conquistou primeiro seu amado Ed Burns. Mas logo dá pra perceber que o sujeito certo para ela é um jornalista especializado em casamentos, feito por James Marsden, que depois de "Encantada" e "Hairspray" finalmente encontrou seu caminho.

O filme é apenas isso. Não chega a ter grandes achados, e até se prolonga um pouco ao final.A melhor cena já se tornou clichê, é quando Katherine e Marsden compartilham um momento de karaokê, com a musica "Benny and the Jets", de Elton John. Mas há piadinhas engraçadas, gente bonita, muito figurino, se tornando uma diversão agradável.

Lançamentos em DVD

Com mudanças, começa hoje a 10ª edição do FICA

Mudanças na programação marcam o aniversário de dez anos do festival goiano, que acontece de 10 a 15 junho

Por Amanda Lourenço
Começa hoje a décima edição do FICA (Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental), que acontece entre os dias 10 e 15 de junho na Cidade de Goiás. Idealizado em 1999 por Luiz Felipe Gabriel, Jaime Sautchuk, Adnair França e Luís Gonzaga, o festival promovido pelo governo de Goiás visa não só divulgar a produção local, como também promover uma interação entre cinema e ecologia. Através da discussão da temática ambiental, o FICA não só chama a atenção para os aspectos culturais, como também aponta as qualidades ecológicas do estado.

Competitivo para filmes sobre meio ambiente de todos os gêneros e formatos, o festival esse ano coloca em segundo plano suas atividades paralelas, como shows e eventos artísticos, dando maior destaque para os filmes e oficinas da programação. O objetivo é priorizar o audiovisual, em especial os documentários. Entre os destaques da programação, estão filmes como “Sumidouro”, do brasileiro Cris Azzi, que retrata o processo de migração provocado pela construção da usina hidrelétrica no Vale do Jequitinhonha. Em decorrência da obra, uma comunidade inteira se desfez graças às inundações provocadas na região.

Ainda na competição de longas, concorre o filme “Benzeduras”, único representante goiano na categoria, que fala sobre métodos religiosos praticados no interior do estado para a cura de doenças. Outro tema de destaque na seleção de filmes é a questão do petróleo, abordada pelos longas “Um Bruto Despertar”, dos suíços Basil Gelpke e Ray McCormack, e o grego “Delta, o Jogo Sujo do Petróleo”, de Yorgos Avgeropoulos. Na categoria de médias-metragens surgem temas variados, como o trabalho escravo ainda existente no estado do Pará, investigado pelo suíço Stéphane Brasey no documentário “A Lenda da Terra Dourada”, ou a importância das ferrovias no desenvolvimento de Goiás, tema do filme “Café Com Pão, Manteiga Não”, de Viviane Louise e Marcelo Benfica.

Nas mostras paralelas ainda serão exibidos filmes como o recente “Chega de Saudade”, de Laís Bodanski, e alguns trabalhos de Cacá Diegues, como “O Maior Amor do Mundo” e “Quilombo”. O FICA promove ainda alguns cursos sobre documentário e linguagem cinematográfica, outro destaque de sua programação, além de shows como o do grupo Cachorro Grande. Para mais informações sobre o festival e sua programação completa, acesse o site www.fica.art.br.

Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto




Lumet em melodrama trágico

Por Júlio Bezerra

Sidney Lumet fez alguns dos dramas (urbanos e de tribunal) mais intensos do cinema americano, como “Serpico” (1973) e “Um Dia de Cão” (1975), “Príncipe da Cidade”, e “O Veredito” (1983), mas sua cinematografia é igualmente marcada por momentos de mediocridade.

Mais recentemente, Lumet andava esquecido e desprestigiado. Em “Find Me Guilty” (2006), ele já voltava a chamar atenção com um trabalho recheado de inteligentes subversões. Mas este mais novo “Antes que o Diabo saiba que você está morto”, mais do que um retorno à forma, é uma espécie de ressurreição: um melodrama violento e trágico, inventivo nos movimentos, preciso nos planos, e elegante nos enquadramentos.
Em “Antes que o Diabo saiba que você está morto”, somos expostos a uma família em ruínas. Andy (Philip Seymour Hoffman) é um viciado em drogas cuja carreira de executivo está desmoronando. Para se livrar da falência, convence o irmão Hank (Ethan Hawke), também endividado e desajustado, a assaltar a joalheria dos pais. O plano parecia fácil, mas, por um acaso, a mãe (Rosemary Harris) deles aparece, e acaba sendo morta acidentalmente. O pai (Albert Finney) de Andy e Hank jura vingança, sem saber que está à caça de seus próprios filhos. Agora os dois irmãos terão de lidar com as repercussões do seu trágico plano.

Depois de um começo em tom idílico, entramos direto na trama e o filme já se esboça como a história de um desastre. Dois irmãos (Hoffman e Hawke em grandes interpretações) em queda livre financeira e moral partem para um golpe familiar. Ao contrário de “Find me Guilty”, em que Lumet parecia subverter estes preceitos, “Antes que o diabo” retoma a grande questão do cinema do diretor americano: o confronto entre os dilemas morais e os personagens que se debatem para ficarem em paz com suas consciências. Neste sentido, o contundente roteiro do estreante Kelly Masterson serve muito bem ao cinema de Lumet, permitindo ao cineasta um exercício de incrível simplicidade.

A narrativa começa a ir e vir no tempo, mas não se trata de uma “sacada” de roteiro ou um maneirismo de cinema contemporâneo. Lumet parece narrar em camadas, em sketches. Em cada uma delas, temos pequenas aulas de concisão dramática. Aos poucos, esses pedaços vão se somando. O espectador poderá assistir a determinadas cenas em diferentes ângulos, contextos e pontos de vista. O drama se multiplica. Curiosamente, o cineasta se disse em algumas ocasiões fascinado pelo digital. Filmado em HD, “Antes que o diabo” transpira esse fascínio. Além da elegância formal, o longa demonstra uma enorme vitalidade no trabalho da câmera, algo talvez novo para o cinema de Lumet.

Nos embates entre os personagens e seus dilemas morais, “Antes que o diabo” evolui como um filme sobre o descontrole. O longa é pontuado por cenas “descontroladas”, em que os protagonistas não suportam o peso de seus dilemas. Em determinada seqüência, o personagem de Hawke entra em desespero depois que o assalto dá errado. Em outra bela cena “descontrolada”, Andy cai em choro após uma briga com o pai. Nesses momentos, o filme demonstra um apaixonado entendimento da tragédia humana. Lumet fez um longa pesado.

Trata-se certamente de um filme extremamente desagradável. Certamente, um dos melhores trabalhos de Lumet.


Hugh Grant e Zhang Ziyi juntos em "Lost for words"

LOS ANGELES, 10 Jun 2008 (AFP) - Hugh Grant e Zhang Ziyi protagonizarão o próximo filme da diretora dinamarquesa Susanne Bier, informou nesta terça-feira a revista Variety.

O ator britânico viverá um comediante chamado por uma cineasta chinesa (Zhang Ziyi) para estrelar seu filme.

O longa, "Lost for words", começará a ser rodado em setembro próx