Parece piada feita, mas as duas estréias da semana (simbolicamente, na sexta-feira 13) que apontam para a invasão do mercado brasileiro por superproduções norte-americanas são “O Incrível Hulk” e “Fim dos Tempos”.
O primeiro procura retomar em novas bases, com Edward Norton no papel principal e direção de Louis Leterrier, a franquia que não obteve os resultados esperados pelos produtores com o longa de 2003, dirigido por Ang Lee. O segundo, que chega ao Brasil sem que a distribuidora tenha promovido sessões prévias para a imprensa até hoje (uma exibição de última hora foi marcada para a quarta-feira, apenas dois dias antes do lançamento), é a tentativa de o diretor e roteirista M. Night Shyamalan se recuperar da bilheteria modesta de “A Dama na Água” (2006).
Nos EUA e Canadá, ambos pertencem a um perfil de longa-metragem que costuma ser lançado em cerca de 4.000 salas. Alguns em um pouco mais, como “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” (4.260), e outros em um tanto menos, como “Zohan – Um Agente Bom de Corte” (3.462), que ficou em segundo lugar no ranking no último final de semana e tem estréia prevista no Brasil para 15 de agosto.
Como o mercado norte-americano soma cerca de 42 mil salas (39 mil nos EUA e o restante no Canadá), de acordo com dados do Filme B, nenhum lançamento consegue ocupar sozinho mais de 10 %. No último final de semana, os oito filmes que ocupavam mais de mil salas cada um estavam em cartaz em 25.930 salas (62%). Para os demais, sobraram 38%, ou cerca de 16 mil salas.
No Brasil, “O Incrível Hulk” e “Fim dos Tempos” são filmes lançados com aproximadamente 500 cópias. Como o mercado nacional tem cerca de 2.100 salas, cada uma dessas superproduções costuma ocupar entre 20% e 25% do total. Dois que estréiem na mesma semana já asseguram, sozinhos, metade do circuito.
No final de semana de 1º de junho, apenas cinco filmes ocupavam 83% do mercado nacional (1.744 salas). Quando este post foi escrito, os dados do último final de semana não estavam disponíveis e as distribuidoras ainda não haviam definido com os exibidores o número final de salas para “O Incrível Hulk” e “Fim dos Tempos”, mas é provável que os “cinco mais” em cartaz superem no próximo final de semana a marca dos 90% --o que aconteceu, por exemplo, em julho de 2007, com o engarrafamento de quatro superproduções (“Harry Potter 5”, “Ratatouille”, “Quarteto Fantástico 2” e “Shrek Terceiro”).
Ocupação desmedida e perniciosa, no médio e longo prazos, para o próprio mercado, inclusive porque só contribui para a formação de público sazonal. Quando as superproduções desaparecem do circuito, boa parcela de seus espectadores as acompanha.
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